>Cansei de deixar para depois…

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Há algum tempo atrás quase empacotei! Escrevi sobre isso na ocasião, no post “E se hoje fosse seu dia de morrer?” Sempre gostei de assuntos ligados à alma, à psique, à consciência,  mas depois desse episódio, passei a ter um interesse maior. Quando encaramos a fragilidade da vida, algo em nosso íntimo muda.  Surgem muitos questionamentos sobre a razão da nossa existência, os objetivos que conquistamos e principalmente, o sonhos que não realizamos.
Descobri a pouco o blog de Rodolfo Araújo – Não posso evitar…, e li um post sensacional sobre “procrastinação” (aquela mania, quase vício, de deixar tudo para daqui a pouco… para depois… para amanhã… pensar mais que agir… deixar para amanhã, o que você poderia ter feito ontem… ou não fazer agora o que você não fará daqui a pouco. É o nome complicado dos desorganizados, dos indecisos, dos inseguros e quem diga – minha sogra diria! – dos preguiçosos!
Reconheci em mim essa palavra dificil! Preguiça? Não… o pior é que não sou nada preguiçosa, tenho pique para tudo, principalmente se estou empolgada! O meu maior problema é a desorganização do tempo e do espaço no espaço e no tempo!
Mesmo depois de constatar pessoalmente, que o tempo pode não ser tão longo quanto planejei, ainda assim, tenho uma grande tendência a desperdiçá-lo.  Na verdade, não consigo me organizar entre tantos afazeres diários e aqueles que eu realmente gosto. Tentando fazer tudo ao mesmo tempo agora… um pouco aqui, outro pouco ali, de manhã até de noite ou até que a madrugada termine, trazendo o pânico por não ter dormido o suficiente para aguentar o tranco do dia que começa sem que eu tenha terminado o que comecei ontem, mas já cheia de idéias para o que posso fazer daqui a pouco. Uma eterna alternância entre procrastinar e postergar.

Ok. Eu já tinha sido informada desse vício nas sessões de terapia transpessoal, que aliás recomendo a todos! E fazendo uma retrospectiva de mim mesma, concluí que foram tantos projetos, planos e sonhos inacabados ou nem iniciados, que se tempo fosse, de fato dinheiro, com certeza eu já seria uma bilionária! Já que arrasto esse mal desde a infância. Nunca fui uma estudante exemplar, só estudava um dia antes da prova. Sempre dormi até o último minuto antes do ônibus passar! Leio 5 livros sem terminar nenhum. Nunca consegui fazer uma poupança. E só penso em como pagar a conta, quando ela chega! Admito… talvez minha sogra tenha razão… tem uma certa preguiça no meio de tudo isso, a preguiça para ser diciplinada! Mas, juro que é inconsciente!
 
Existe explicação cientifica para a procrastinação, há causas psicológicas e fisiológicas, há o tipo relaxado ou tenso. Em alguns casos, pode até caracterizar uma patologia mental, como Transtorno do Deficit de Atenção, por exemplo. Mas, para mim, não adianta nem dar essa desculpa. 
Faz quase 10 dias que estou estudando um bom assunto para um post… e entre escolher esse tema e ficar na dúvida sobre um outro… mais dois dias se passaram. E quantas vezes vou até meus blogs preferidos para parabenizar os escritores dos textos lindos que eu leio e quando começo…o telefone toca…o carteiro chega… e já está na hora de buscar as crianças na escola!  E o tempo passa… E eu não passo a roupa! Do mesmo jeito que a pilha de roupas cresce, aumenta a pilha de idéias, que estão dentro de mim, mas não encontram espaço nem tempo para se manifestarem…os quadros que não pinto, alegando um bloqueio criativo, que não passa nunca… as felicitações que dou(quando dou aos queridos aniversariantes alguns dias depois da data querida… tem dias, que vou ao banheiro, e empolgada na leitura, esqueço o que lá fui fazer!
Enfim, acho que estou precisando dar uma geral nessa zona toda, não?! Bom saber que não estou sozinha nessa dura briga pela diciplina. A procrastinação é quase uma caracteristica humana! Afinal, que ser humano prefere as obrigações maçantes ao deleite de um bom filme, de um bom livro ou mesmo de um bom site na internet??? Como afirma a velha frase: primeiro a obrigação, depois a diversão.
Quem não conhece a fábula “A Formiga e a Cigarra”??? Enquanto a formiga trabalhou o verão inteiro para garantir o alimento no inverno, a Cigarra passou o verão na esbórnia! E um inverno de fome! A regra é clara: quem não planta, não colhe! 
Cansei dessa mania! Vou resolver essa pendenga! E não dá para deixar para depois! Tá afins??? Não sabe como? Vixi, quando fui pesquisar esse assunto, tinha tanta informação, que comecei a me sentir uma plagiadora! Mas, decidi não deixar esse assunto de lado. E de alguma forma, quando dividimos problemas, eles pesam menos, embora não signifique que foram resolvidos!
Então, chega de enrolar, né?! Você pode ler mais (muito mais!) sobre esse assunto: 

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>Sobre a brevidade da vida

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“A vida é breve, longa, a arte.” Hipócrates

Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor. (…)

viver
C.Albert / Aerial Dreams

Por que nos queixamos da Natureza? Ela mostrou-se benevolente: a vida, se souberes utilizá-la, é longa. Mas uma avareza insaciável apossa-se de, um de outro, uma laboriosa dedicação a atividades inúteis, um embriaga-se de vinho, outro entorpece-se na inatividade; a este, uma ambição sempre dependente das opiniões alheias o esgota, um incontido desejo de comerciar leva aquele a percorrer todas as terras e todos os mares, na esperança de lucro; a paixão pelos assuntos militares atormenta alguns, sempre preocupados com perigos alheios ou inquietos com seus próprios; há os que, por uma servidão voluntária, se desgastam numa ingrata solicitude a seus superiores; a busca da beleza de um outro ou o cuidado com sua própria ocupa a muitos; a maioria, que não persegue nenhum objetivo fixo, é atirada a novos desígnios por uma vaga e inconstante leviandade, desgostando-se com isso; alguns não definiram para onde dirigir sua vida, e o destino surpreende-os esgotados e bocejantes, de tal forma que não duvido ser verdadeiro o que disse, à maneira de oráculo, o maior dos poetas: “Pequena é a parte da vida que vivemos.” Pois todo o restante não é vida, mas tempo. Os vícios atacam-nos, e rodeiam-nos de todos os lados e não permitem que nos reergamos, nem que os olhos se voltem para discernir a verdade, mantendo-os submersos, pregados às paixões.(…)


(…)Vemos que chegaste ao fim da vida, contas já cem ou mais anos. Vamos! Faz o cômputo de tua existência. Calcula quanto deste tempo credor, amante, superior ou cliente, te subtraiu e quanto ainda as querelas conjugais, as reprimendas aos escravos, as atarefadas perambulações pela cidade; acrescenta as doenças que nós próprios nos causamos e também todo o tempo perdido: verás que tens menos anos de vida do que contas. (…)Os ocupados não tem tempo para refletir sobre si, daí o estranhamento de si mesmos. O homem, no entanto, pode ultrapassar sua condição meramente corporal e alcançar o conhecimento de si como alma e razão.(…)
morrer
Steve Argy

(…)Finalmente, todos concordam que um homem ocupado não pode fazer nada bem: não pode se dedicar à eloqüência, nem aos estudos liberais, uma vez que seu espírito, ocupado em coisas diversas, não se aprofunda em nada, mas, pelo contrário, tudo rejeita, pensando que tudo lhe é imposto. Nada é menos próprio do homem ocupado do que viver, pois não há outra coisa que seja mais difícil de aprender. Professores das outras artes, há vários e por toda parte, dentre algumas dessas, vemos crianças terem atingido tanta maestria, que chegam até a ensiná-las. Deve-se aprender a viver por toda a vida, e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer.(…)

aprender
C.Albert / Aerial Dreams

(…)Dentre todos os homens, somente são ociosos os que estão disponíveis para a sabedoria; eles são os únicos a viver, pois, não apenas administram bem sua vida, mas acrescentam-lhe toda a eternidade. Todos os anos que se passaram antes deles são somados aos seus. (…)
 (…)É extremamente breve e agitada a vida dos que esquecem o passado, negligenciam o presente e receiam o futuro; quando chegam ao termo de suas existências, os pobres coitados compreendem tardiamente que (2) estiveram por longo tempo ocupados em nada fazer.(…)
 
espirito
C.Albert / Aerial Dreams

(…)Todos os maiores bens estão cheios de ansiedade, e as maiores fortunas são as menos dignas de crédito; para alimentar a felicidade, faz-se necessária uma outra felicidade, e em paga a uma promessa realizada, outras promessas devem ser feitas. Pois tudo o que nos sucede por obra do acaso é instável, e quanto mais alto nos elevamos, tanto mais estamos sujeitos a cair. É claro que o que está condenado a cair não agrada a ninguém. Portanto é necessariamente a mais miserável e não apenas a mais breve, a vida dos que obtêm com grande esforço algo que conservam com um esforço ainda maior. Em meio a grandes labutas, conseguem o que desejam e ansiosos conservam o que conseguiram; entretanto não têm consciência de que o tempo nunca mais há de voltar. (…)

Sobre a brevidade da vida – Sêneca

Leitura mais que recomendada, Sêneca foi um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano. Seguidor do estoicismo, que aconselha a indiferença  em relação a tudo que é externo ao ser, devendo assim manter a serenidade perante as tragédias e coisas boas. Para Sêneca, o destino é uma realidade. O homem pode apenas aceitá-lo ou rejeitá-lo. Se o aceitar de livre vontade, goza de liberdade. 

destino
Christel Arnod

Sobre a Brevidade da vida são cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e, no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-la. Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura inspiradora para todos os homens, a quem ajudam a avaliar o que é uma vida plenamente vivida. 

>Mudar é inevitável

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Ao frequentar palestras no Centro, eu sempre me encontrava com uma velha amiga. Nas semanas que passaram, não mais a vi. Encontrei com ela, casualmente, na rua e perguntei o motivo da sua ausência nas palestras. Ela me disse que ficou desanimada, pois sabia que os palestrantes não praticavam em suas vidas o que eles pregavam. Alguns pregavam a paz, mas eram rudes com seus familiares. Outros pregavam a caridade, mas eram mesquinhos e egoístas. Uns pregavam o respeito, mas não respeitavam nem a si mesmos. Outros pregavam o otimismo, mas lamentavam sua existência.
Por um instante, quase concordei com ela. Mas, perguntei “cá com meus botões”, se um bom conselho deixa de ser bom, se quem o oferece não é capaz de segui-lo? Numa distorção da famosa frase: “Faça o que eu digo, mas nem eu faço o que falo.”
Todos nós sabemos o caminho certo para o bem estar. Sabemos o que não comer, quando estamos de dieta, que muito sal é prejudicial à saúde, assim como o cigarro e a bebida. Sabemos que gritar nos trará gritos. Que respeito gera respeito e gentileza, gera gentileza. Então, se sabemos de tudo isso por quê erramos?
Li uma frase, mais ou menos assim, cujo autor não me lembro o nome: “O que eu não sei não  me impede de alcançar meus objetivos.  É justamente o que sei, que me atrapalha.”
Acho que justamente por saber que mudar é inevitável, vamos adiando até que a vida se encarregue de nos obrigar a ter disciplina,  auto-controle,  paciência e bom senso. Características que dependem uma da outra, e todas juntas  promovem a reforma íntima necessária para evoluirmos.
Falar é sempre muito mais fácil que agir, mesmo que saibamos o caminho, nem sempre estamos aptos a segui-lo. 
Passei a observar os palestrantes e a mim mesma com mais atenção. A conclusão que cheguei, foi que todos os discursos são frutos da intenção de inspirar o próximo a seguir rumo à evolução, porém intima e verdadeiramente, são frutos da necessidade de inspirar a nós mesmos.

“(…)as pessoas gostam de dar o que mais necessitam. Considero isto a mais profunda generosidade.” Oscar Wilde

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