Mentiras sinceras me interessam

Quem nunca mentiu, que atire a primeira pedra. Ninguém é tão sincero, ao ponto de confessar, que não diz a verdade. A mentira é essencial ao ser humano. Preserva a paz e conserva os dentes no lugar. Quando o ser humano aprendeu a racionar, aprendeu a mentir, e tão logo passou a viver em sociedade.

Alex Andreyev


De acordo com o dicionário Houaiss, mentira significa “dizer, afirmar ser verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de induzir ao erro, não corresponder a (aquilo que se espera); falhar, faltar, errar, causar ilusão a; dissimular a verdade; enganar, iludir, não revelar; esconder, ocultar.

Alex Andreyev
Alguns dirão, eu não minto, apenas omito. Temos mentiras sociais, religiosas, politicas (que poderia também ser sinônimo!), ofensivas, mal intencionadas, inocentes e sinceras. Algumas são, inclusive, obrigatórias, as chamadas convencionais, tais como: uso de eufemismos para não citar algo desagradável;
perguntas sobre a saúde de uma pessoa pouco conhecida; afirmação de boa saúde em resposta ao questionamento de alguém não íntimo; desculpas para evitar ou encerrar um encontro social indesejado; garantia de que um encontro social é desejado ou foi agradável; dizer a uma pessoa moribunda o que quer que ela queira ouvir; entre outros.
Alex Andreyev
Todo homem ou mulher mente. Uns mentem por prazer ou por insegurança, outros porque a profissão exige. Mas, todos nós precisamos praticá-la, pois nossas palavras influem diretamente o meio e as pessoas que nos cercam, assim acarretam consequências. Usamos da verdade, somente quando temos certeza de que não seremos julgados, criticados ou punidos. Assim sendo, não mente quem acredita naquilo que diz, mesmo que isto seja falso. Santo Agostinho declara que “Quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso”
Alex Andreyev

Ferramentas dos hipócritas como disse Freud: “Há numerosos indivíduos civilizados que recuariam aterrados perante a idéia do assassinato ou do incesto, mas que não desdenham satisfazer a sua cupidez, a sua agressividade, as suas cobiças sexuais, que não hesitam em prejudicar os seus semelhantes por meio da mentira, do engano, da calúnia, contanto que o possam fazer com impunidade.” Mas, a mentira proferida sem maldade, é também uma ferramenta da boa convivência e sobrevivência social. Quando dizer a verdade é inevitável, começamos pedindo perdão… : “Desculpe dizer isso, mas sinceramente…”, ou “Posso ser sincero? Você não vai ser ofender?” 

Alex Andreyev
Porque a verdade pode ser cruel e causar uma baita confusão. O filme “O mentiroso”, apesar da exagerada performance de Jim Carrey, nos dá uma noção do problemão que teríamos sendo extremamente sinceros. O personagem de Luís Fernando Guimarães no quadro “Super Sincero” também é um bom e divertido exemplo de sinceridade extremada e suas consequências. 
Alex Andreyev
 A sinceridade pode causar danos emocionais nas pessoas mais sensíveis.  A mentira pode alienar as pessoas mais sonhadoras., que correm o risco de sofrerem demasiadamente, quando encaram a verdade decepcionante.  Entre a verdade cruel, que fere e nada acrescenta ou a mentira que consola, fico com a segunda. O bom senso e a boa índole  regem o equilíbrio entre  sinceridade e hipocrisia.  Salvo quando patologia, como dizia o poeta, mentiras sinceras me interessam…
Alex Andreyev
Dizem que Finjo ou Minto  
 
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”
Imagens: Alex Andreyev
Fonte: Wikipedia, PsiqWeb
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Rainhas do Drama

Há algum tempo recebi um e-mail do “Diário dele e dela”. É hilário, muito engraçado.  É a mais perfeita descrição de como nós, mulheres, somos capazes de sofrer baseadas apenas na nossa fértil imaginação. Para quem não conhece o e-mail, eis um resumo:
“O diário dela:
No Sábado à noite ele estava estranho. (…)Fomos a um restaurante e ele AINDA agindo de modo estranho. (…)Perguntei,e ele disse que não era eu. Mas não fiquei muito convencida. (…) Finalmente chegamos a casa e eu já estava pensando se ele me iria deixar! Por isso tentei fazê-lo falar, mas ele ligou a televisão, e sentou-se com um olhar distante que parecia estar me dizendo que estava tudo acabado entre nós. (…).Mais ou menos 10 minutos ele foi se deitar também e para minha surpresa, correspondeu aos meus avanços e fizemos amor. Mas ainda parecia muito distraído, e depois quis confronta-lo e falar sobre isso, mas comecei a chorar e chorei até adormecer. Já não sei o que fazer. Tenho quase a certeza que ele tem alguém e que a minha vida é um autêntico desastre.
O Diário dele:
Time de merda! Perdeu mais uma vez. Pelo menos dei umazinha.”

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A euforia induz ao equívoco

Errar é humano. A frase é batida, mas seu teor é muito verdadeiro. Repetir o erro não caracteriza burrice, apenas confirma que somos humanos. Não importa o quanto aprendemos, quantas mil vezes já fizemos algo. Erramos outra vez. E sendo humanos, erramos novamente ao lidar com o engano. Tentamos encobrir ou jogar a culpa em outra pessoa. Se não somos felizes, a culpa é de quem nos acompanha. Se não conseguimos emagrecer, a culpa é da correria do dia a dia, que nos obriga a comer fora de hora. Se a grana não dá para pagar as contas, a culpa é do salário que é baixo. Enfim, sempre haverá uma desculpa para não assumirmos que falhamos.

 

Mesmo criando desvios para não topar com as consequências do equívoco, na nossa consciência ele bate forte. Pelo menos na minha bate, bate e me derruba!
Não gosto de cometê-los. Principalmente, quando tenho a melhor das intenções!
erroPor exemplo, eu adoro ler bons textos, conhecer e indicar sites e blogs. Mas, quando me identifico mesmo com um bom texto, gostaria que todos o conhecessem. Na verdade, sou assim com tudo, com lugares, comida, filmes, música, pessoas. Dever ser coisa de mãe, ainda por cima, pisciana!
Mas, tendo um blog, achei que poderia ser mais fácil compartilhar essas coisas boas. Sempre coloco link, mas sei, por experiência própria, que é muito difícil a gente clicar. Então, pensei, cá com meus botões: “Vou abrir um espaço, para colocar trechos de textos de blogs e sites, que eu me identifiquei, assim quem gostar também, pode ir até a fonte e lê-lo completamente.” Sou muito rígida em relação à direitos autorais. Tenho pavor de plágio. Por isso, os créditos são fundamentais. Enfim, achei que ia ser ótimo. Ledo engano!
O primeiro texto que eu coloquei, um post antigo, peguei um trecho grande, porque o post é bem extenso, coloquei todos os créditos, inclusive na página o título direcionava o link para o post original. Avisei o cidadão o que eu tinha feito, e se caso ele não estivesse de acordo, era só me avisar, que eu retirava imediatamente. Enfim, ele não gostou, me denunciou ao Google como se eu estivesse duplicando conteúdo. Ele tem todo o direito de não gostar, tanto que eu o avisei para entrar em contato comigo. Mas, eu fiquei muito chateada. Primeiro pelo erro em si, fruto da minha ignorância, não pensei que estaria comentendo praticamente um “crime”. Depois porque, eu jamais agiria assim. Gosto muito de escrever, e fico muito feliz em saber que as pessoas gostaram do que eu escrevi a ponto de querer compartilhar.
Não vou tentar justificar meu erro. Assumo-o e peço minhas sinceras desculpas. O post já não existe mais. O que era euforia, virou frustração. E agora tenho um feed a menos para ler. Esse equívoco, eu não cometo mais.
Imagem: Erro
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