>A invenção da Mentira

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Imagine um mundo onde as pessoas são sinceras.  Uma sinceridade extrema, onde elas dizem o que realmente pensam ou sentem, sem o menor constrangimento, com toda grosseria da verdade mais cruel. Imagine um mundo onde ninguém soubesse o que é a mentira, nem se quer conhecem esse nome. Um lugar onde não exista hipocrisia, meias palavras, ilusão ou fantasia. Esse é o mundo do filme A invenção da Mentira”, do diretor Mattew Robinson.
Comecei a assistir pensando ser uma comédia daquela bem hilária, mas acabei me deparando com um filme sensacional e inteligente, daqueles que nos fazem pensar, refletir sobre nossa vida, a vida dos outros e nossa interação.
Entre algumas risadas há momentos em que senti um nó na garganta, uma certa melancolia. É inevitável não sentir algum constrangimento diante de tanta sinceridade, muito embora os personagens não se sintam assim, a não ser o protagonista Mark, que sem saber porquê, não se sente feliz com essa realidade tão extrema.

No mundo criado e protagonizado pelo comediante inglês  Rick Gervais, não existem mentiras nem ilusões, também não existem filmes, nem tão pouco religião. As pessoas não sabem mentir, não são capazes de criar,  abstrair ou  imaginar qualquer outra situação, senão aquela que é como é, sem reflexões.
Mark é um roterista da Lecture Films,produtora de filmes, cujos roteiros são simples descrições de fatos históricos, exatamente da forma como ocorreram, sem cenas ou algum tipo de representação, apenas com a leitura desses fatos. Considerado um fracassado, além de feio e gordo, Mark é demitido do emprego e leva um fora daqueles de uma linda mulher (Jennifer Garner) por quem ele é loucamente apaixonado. Em meio ao fracasso de sua vida, Mark descobre que pode mentir, imaginar outra realidade, e torna-se o homem mais poderoso do mundo. Todos acreditam no que ele inventa, apenas por ele dizer, mesmo sendo o maior absurdo (para nós), já que nesse mundo, não existem suposições, tudo que é dito é o que é.
E se já não bastasse tantos motivos para reflexão sobre verdade e sinceridade, o filme ainda fala sobre o que é preciso para ser feliz de fato. O equilíbrio entre amor, dinheiro e amizade.
Um mundo onde as fraquezas são totalmente expostas e reconhecidas, sem sonhos, sem criatividade, sem fé, regido pela aparência e posição social. Acho que Rick Gervais fez uma analogia, uma representação de um mundo interior. Todos os personagens possuem uma personalidade única, que somados compõe um único ser. Um egocêntrico, um inseguro, um feio, um bonito, um alienado, um agressivo, um esperançoso, mas carente. É a soma de todos os nossos sentimentos e medos, personagens vivos dentro de nós, que atuam em determinados momentos da nossa vida. Buscam algo, mas não sabem o que é. Conhecem o seus defeitos e limitações, sabem que precisam mudar, agir de maneira diferente, mas não o fazem, muitas vezes porque o orgulho não permite, nem sempre se incomodam com isso ou fingem não se incomodar. Vacilam diante do que realmente querem e do que lhe é imposto pelos outros, na maioria das vezes, cedendo ao que a maioria acredita. A maioria nem sabe o que quer.
Depois de um tempo, já não sei se o filme defende ou condena a mentira. Ao meu ver, a grande moral é que sem sensibilidade, imaginação, otimismo, gentilezas e cordialidades, não poderíamos ter evoluído como sociedade, ou até poderiamos, mas como no filme, seriamos uma legião de pessoas vazias, incompletas, perdidas e insatisfeitas, submersos num cotidiano de coisas fúteis, sem valor.
As vezes me pergunto se já não vivemos nesse mundo ou se já não estamos caminhando para ele. Como disse Luís Fernando Veríssimo: “Embaixo do oceano há um deserto.”

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>Os sonhos que nos movem

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A televisão brasileira está comemorando 60 anos. Desde sua criação, tornou-se a principal fonte de informação e entretenimento do brasileiro. 
televisao
Alex Cherry

Muita gente critica a alienação que ela causa nas pessoas, mas  justamente pelo poder de hipnotizar nossas emoções, que a televisão tornou-se um item de primeira necessidade.

Que a tv elege presidentes, a gente já sabe. Mas, é verdade que uma criança, um adolescente ou até mesmo um adulto podem ser influenciados por uma novela, programa ou filme?

imaginacao
Archan Nair
Eu li um texto escrito pelo Doutor e Mestre em Direito da USP, Antonio Jorge Pereira Jr., na excelente Revista Ser Família do Instituto de mesmo nome, vendida  pela rede de farmácias Drogasil em prol da entidade Obra do Berço. O texto intitulado “Imaginação, imagem e ação”, trata da influência da televisão, do cinema e da literatura na vida das pessoas.
sonhar
Archan Nair
Já comentei em outros posts sobre a carência de imaginação nas crianças (nos adultos também!) e seu efeito nocivo para o futuro. Através do imaginar, é que colocamos os maiores planos da nossa vida em prática. Quando a imaginação é limitada, os recursos para uma vida plena e satisfatória ficam escassos, já que a capacidade de visualizar nossas metas fica prejudicada. Segundo o filósofo espanhol Leonardo Pólo, a imaginação condiciona a ação da inteligência e da vontade. Sendo precária a capacidade de criar as imagens, que nos despertam a vontade e a força para torná-las reais, fatalmente tornaremos nossa vida frustrante e sem sentido.
imaginar
Archan Nair
A imaginação é alimentada por imagens, literatura, experiências e sons. Vários estudos apontam, que a imagem de felicidade, que chega até os jovens está associada a comportamentos egoístas e relacionamentos superficiais. Uma visão distorcida da justiça, do certo e do errado, do respeito a si próprio e pelo próximo.
Sendo assim, quem imagina que possa haver apenas relações fugazes, não será capaz de projetar relações diferentes. Imaginar tem haver com a esperança e a expectativa, pois ela antecipa a ação. Os estudos concluíram que o conjunto de imagens de condutas humanas, especialmente associado a algum prazer, facilita a predisposição ao comportamento visto. Não fosse assim, a publicidade não se justificaria. 
influencia
Archan Nair
Algumas pessoas relutam a afirmar, que os recentes desenhos e jogos violentos possam influenciar as crianças negativamente, alegando que os desenhos antigos, como Tom e Jerry, Pica-Pau ou Papa-léguas eram mais violentos que os de hoje e nada daquilo era imitado. Porém, vale ressaltar que,  esses desenhos representavam animais, humanos não apareciam, portanto as crianças não faziam associação das imagens  com o comportamento, pelo simples fato de não se reconhecerem nos personagens. 
escolha
Archan Nair
Existem pessoas que passam uma vida inteira sem nada realizar, mas satisfeitas apenas pelas projeções da sua imaginação, geradas pelas histórias em livros, em filmes ou novelas que ela lê ou assiste. Acredito que o ser humano criou as artes, para suprir a necessidade sem limites dos nossos sentimentos, que se realmente concretizados, poderiam trazer consequências desagradáveis ou até trágicas. Todas as imagens criadas ou assistidas são guardadas dentro de nós. Quando passamos por alguma experiência parecida na vida real, resgatamos essas imagens e as emoções antes despertadas. Quando se povoam a memória com imagens de traição, sensualidade, egoísmo e  violência criam-se modelos deturpados da realidade. Assim, a capacidade de sonhar mais alto fica prejudicada pela ausência de bons exemplos, de valores e bons critérios.
Alimentar os bons sonhos é alimentar a realidade.
agir
Archan Nair
Não há dúvida que a televisão influencia nossas atitudes e pensamentos. As crianças e os jovens são mais sensíveis a essa exposição. Cabe aos pais filtrarem as imagens, que seus filhos recebem, não apenas pela tv, mas pelos jogos, pelos livros, pela música e também por eles mesmos, através de suas ações. Afinal, não adianta nada desligar a televisão e fazer a criança presenciar um verdadeiro show de horrores ao vivo! Não é fácil, mas os bons exemplos começam em casa. Quem adquire bom senso, aprende a não mais absorver os maus exemplos da tv, do cinema e do mundo.  Mesmo assim, alimentar bem nossa imaginação e a  nossos filhos  garantirá uma vida plena e feliz. A natureza dos sonhos que nos movem denuncia a trajetória que estamos a percorrer.
 Fonte: Revista Ser Família Edição 21 / Imagens: Do talentoso ilustrador indiano Archan Nair e  do excelente americano Alex Cherry
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