>Assim é a vida!

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Eu sempre reclamo do tempo. E no final do ano, ele parece correr mais que no resto do ano. Os dias parecem minutos. 
tempo
Ando afastada das minhas recomendações. Atribulada com o correr desse tempo, que nunca é suficiente. Certamente, como todo mundo, preciso reservar um pouco desse pouco tempo para minhas resoluções de Ano Novo. Quando, como todos os anos, tem-se a impressão de que nossa vida será nova também.
Recebi um e-mail com esse texto super legal da minha querida amiga Sidônia Siqueira, uma psicóloga com orientação antroposófica “porreta de boa”! Pessoa sábia e muito especial. Esse texto descreve bem as metas de cada  etapa da vida, que é igual para todos.


Assim é a vida!

A história se repete , com começo, meio e fim. Eis a vida!

Aos 02 anos sucesso é: conseguir andar.

Aos 04 anos . sucesso é: não fazer xixi nas calças.

Aos 12 anos . sucesso é: ter amigos.

Aos 18 anos . sucesso é: ter carteira de motorista.

Aos 20 anos . sucesso é: fazer sexo.

Aos 35 anos . sucesso é: dinheiro.

Aos 50 anos . sucesso é: dinheiro.

Aos 60 anos . sucesso é: fazer sexo.

Aos 70 anos . sucesso é: ter carteira de motorista.

Aos 75 anos . sucesso é: ter amigos.

Aos 80 anos .. sucesso é: não fazer xixi nas calças.

Aos 90 anos . sucesso é: conseguir andar.”

mao

Então, perde mais tempo não! Vai ser feliz, vai! Esquenta com bobagens, não! Porque o grande filósofo desconhecido dessa frase célebre, tinha toda razão:


“Nessa vida tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador.”
Imagens: Alan Parsons Project – Time  e Artilharia Cultural
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>A Casa Dos 40

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Eu ainda não entrei na casa dos 40. Ainda vivo na casa dos 30, mas o espelho já me avisou, que o corpo já se mudou para lá! Inclusive, já até recebo as contas! Pela janela dos 30, dá para ver alguma coisa dos 40… O que não estou mais conseguindo ver direito, é o movimento da casa dos 20… será que são os meus óculos recém adquiridos??? 
tempo
O tempo é cruel. Mas já que o destino é certo, façamos da caminhada uma viagem repleta de bom humor. Luis Fernando Veríssimo escreveu esse magnifico e engraçadíssimo texto para o episódio “A casa dos 40” da Comédia da Vida Privada. O cara é um gênio! Sensacional! Divirta-se:

“Quem já entrou na casa dos 40 sabe do que eu estou falando. Eu entrei na casa dos 40. A porta se fechou atrás de mim. As tábuas rangiam sob os meus pés. No jardim havia duas estátuas de anão com a pintura descascada e o ar de quem sabia alguma coisa que eu não sabia. Mas a única coisa que podia ter dito — “Não entre.” — não foi dita. E aqui estou eu cercado de fantasmas, suando frio e me apalpando. As pessoas invariavelmente começam a se apalpar na casa dos 40. Para verem se é verdade e que dorzinha é aquela.
 Dos fundos sombrios da casa dos 40 vem um murmúrio que a princípio eu não entendo. Parece dizer:
– Tcheca, tcheca… O que será “tcheca”?
idade

Tento fugir mas não encontro mais o trinco da porta. Pelas vidraças empoeiradas mal consigo ver a casa dos 30, do outro lado da rua. Não adianta gritar. Lá está havendo uma festa. Ninguém me ouviria.

E pensar que eu passei pela casa dos 30 sem aproveitar nada. Olhava para a casa dos 40 e a achava atraente. Me imaginava nela, grisalho, sábio e respeitável. Não sabia que seria assim por dentro. Perdi a festa na casa dos 30 e agora não posso voltar.


– Tcheca, tcheca…
humor

Tento desistir da idéia, tento voltar. Invento que esqueci minha bolsa na Casa dos Trinta, a saída. Mas só há uma saída na Casa dos Quarenta: a que dá para a Casa dos Cinquenta.

Depois de uma certa idade a gente só enxerga os pés de longe, lá embaixo… e nós já fomos tão íntimos! Quando eu era bebê brincava com meus pés. Mordia, lambia. Depois nunca mais estivemos tão próximos. Às vezes tento visitá-los, mas a coluna não deixa. Viver é ir lentamente se distanciando dos pés.

 – Tcheca, tcheca…
velhice
A vida é como uma gangorra. Quando você chega aos quarenta, está no topo. Tem uma visão privilegiada de tudo. Se sente realizada, superior, a tal. Por dezessete segundos. Depois começa a descida.”

Na verdade é que aos quarenta, pela primeira vez na vida você se dá conta que vai morrer. Que a morte não é como briga de casal, que só acontece com o vizinho. Fazer quarenta anos é o avesso de entrar na Academia de Letras: você ganha uma festa e se torna um mortal.

– Tcheca, tcheca…

Aos quarenta anos você entra na meia-idade. Chama-se meia-idade porque é um meio termo. É quando o espírito meio que quer e a carne meio que não pode mais. Na meia-idade tudo é pela metade. A meia-idade é uma merda!

À medida em que a gente vai envelhecendo, as letras diminuem! Jornal, catálogo telefônico, bula de remédio. Devia ser o contrário. As crianças aprenderiam a lerem grandes livros de filosofia, com a letrinha miúda. E na velhice as letras ficariam progressivamente maiores. À medida que nossos olhos se cansam.”

Tcheca, tcheca…
saude
Mal entrei na casa dos 40 e já encontro uma baixela de prata cheia de contas para pagar…Aqui as despesas aumentam muito. Todo mês tem conta extra: oculista, fármacia, academia, salão de beleza…
Entrei na casa dos 40 pela porta dos fundos. O porteiro me achou tão acabado que não me deixou subir pelo elevador social. Subi pela escada de serviço com o coração aos trancos e a respiração arfante. Um mordomo me recebeu. Sugere que eu sente e fique à vontade, porque os próximos 10 anos passarão num instante.

– Mas afinal, esse “tcheca, tcheca”, o que é?
– É a primeira recomendação que fazemos a todos que entram na casa dos 40. Check up geral. Só apalpar não adianta nada. “

Texto: Luís Fernando Veríssimo – Comédia da Vida Privada
Imagens: Gifts for Geezers, Discover Magazine, HD da guitarra, Staysure

O tormento do tempo

Quando eu era criança, o tempo era um tormento. Ele custava a passar. O intervalo entre a noite e o dia, que me separava das brincadeiras na rua, parecia levar um século para passar. Passei várias noites, olhando para o relógio, que ao invés de minutos, contava em dias.
tempo
Claire Pacheco

AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios…

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira –
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida –
acaso lhes indaga que horas são…
Mario Quintana – A Cor do Invisível

Agora, porém, esse mesmo tempo anda com pressa. O que preciso fazer não cabem nas breves horas de um dia. Dizem que quem não sabe aproveitar o seu tempo, são os primeiros a queixar-se da sua brevidade. Definitivamente, eu não sei aproveitar o meu. São tantos afazeres, tantas cobranças, tantos planos, que é impossível organizá-los. Não somente por falta de planejamento, mas porque passei a me incomodar com a passagem das horas, que dão o desespero de uma contagem regressiva. Não há tempo que baste para fazer o que nos aborrece!
horas
Claire Pacheco
“A vaidade faz-nos olhar para o tempo, que passou, com indiferença, porque já nele fica sem ação; faz-nos ver o presente com desprezo, porque nunca vive satisfeita; e faz-nos contemplar o futuro com esperança, porque sempre se funda no que há de vir; e assim só estimamos o que já não temos; fazemos pouco caso do que possuímos; e cuidamos no que não sabemos se teremos.”
Matias Aires, in ‘Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna’
segundos
Claire Pacheco
Na infância, nosso corpo e nossa mente passam o tempo todo fervilhando com tantas descobertas. As horas passam depressa, mas os anos parecem décadas. Temos tantas lembranças, que não condizem com os breves anos da infância. Cada vez que refletimos sobre as experiências de criança, novas descobertas se apresentam. Cada época da nossa vida, parece ser proporcional às reflexões, que dela temos. Na maturidade, a velocidade das descobertas é substituída pela morosidade das lembranças, onde as horas parecem dias, mas os anos passam como semanas.
O despertador desperta,
acorda com sono e medo;
por que a noite é tão curta
e fica tarde tão cedo?
Millôr Fernandes, in “Pif-Paf”
minutos
Claire Pacheco
Quando estamos engajados em produzir algo, passamos a perceber o tempo, tentando em vão superá-lo. Quando vivemos uma vida medíocre e tediosa, sem planos ou realizações, o correr das horas não incomoda. Quem não valoriza o breve tempo da vida, não se importa em gastá-lo com futilidades. O tempo de cada um de nós é único. Embora, todos compartilhem da mesma medida de tempo, ele passará de maneira diferente para cada ser.
vida
Claire Pacheco
Frequentemente, nos queixamos do presente, o passado se tornou um saudoso instante e olhamos para o futuro com esperança de algo distante. O fato é que temos o tempo suficiente para realizar aquilo que fomos destinados a fazer. Como disse Oscar Wilde : “O objetivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós veio ao mundo.” Portanto, será inteiramente feliz e cumprirá a sua missão, aquele que utilizar o tempo para aprimorar a si mesmo.
filosofia
Claire Pacheco
“Agimos sempre no sentido do destino. As duas coisas formam uma só.
Quem se engana é porque ainda não compreende o seu destino. Quer dizer, não compreende qual a resultante de todo o seu passado – o qual lhe indica o futuro. Mas quer o compreenda ou não, indica-lhe à mesma. Cada vida é aquilo que devia ser.” Cesare Pavese, in ‘O Ofício de Viver’
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