>Acenda uma vela!

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linguaDiz o ditado popular que se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia, ou que conselho e água, a gente só dá para quem pede. Definitivamente, eu nunca consegui seguir esses ditados. O Mário costuma dizer, que minha língua é maior que a boca. 
moscaNão consigo ficar quieta, calada. Mesmo sabendo, que em boca fechada não entra mosca. Acabo saindo de intrometida, quando tenho a melhor das intenções. Mas, como de intenções, o inferno está cheio, muitas vezes, um bom conselho pode ser ignorado, devido a má fama do ato.
Assim, com a melhor das intenções, vou deixar um bom conselho. E para que ele seja bem compreendido, é ilustrado. Porque mesmo que para um bom entendedor, meia palavra baste, uma imagem vale mais que mil palavras!

Acenda uma vela!

Tem dia que a gente acorda se sentindo uma carta fora do baralho.

baralho

Um verdadeiro peixe fora d’água

peixe

 
Parece que  o mundo inteiro está nas nossas costas….

mundo

E qualquer coisa pode ser uma puta  pedra no sapato!

sapato

Dá aquela vontade de chutar o balde.

balde

 
Porque mesmo andando na linha e

linha



Ralando o peito todo santo dia,

peito



Tomando o maior cuidado para não trocar as bolas.

bolas

Nem marcar touca, 

touca

Não tem jeito, entramos pelo cano!

cano

 
Mesmo dando tudo de nós, trocando os pés pelas mãos

pés

  
Acabamos pagando o pato por algo que não fizemos ou dissemos.

pato


Algo absurdo, bobo, muitas  vezes sem pé nem cabeça, mas que

cabeça

Acaba nos tornando o testa de ferro,

ferro

De quem lava as mãos e

lavar

Não assume que pisa na bola!

bola

E muitas vezes, dá vontade de descascar o abacaxi, gritar, xingar, mas no fim,

abacaxi

Precisamos mesmo é viver pisando em ovos,

ovos

Controlando os nervos para não quebrar o pau de uma vez!

pau

Muitas vezes temos que tomar um chá de cadeira

cadeira

Esperando a decisão daquele chefe mala sem alça,

mala



Que a gente morre de vontade de mandar queimar a rosca… 

rosca

 Mas, como peixe morre pela boca,

boca



Não é seguro dar essa sugestão, então vamos engolindo um puta sapo todo dia.

sapo

Quando você estiver se sentindo assim, com a corda no pescoço.

pescoço

Ou talvez com o coração partido. 

coração




Não fique chorando pelo leite derramado,

leite

Nem faça tempestade em copo d’água

tempestade



E muito menos, pense em pendurar as chuteiras. 

chuteiras

Ou botar as barbas de molho.

barbas

Também não fique procurando pêlo em ovo!

ovo

Nem com minhoca na cabeça!

minhoca


Não dê uma de João sem braço, que acha que não pode fazer nada!

joao

Enchendo lingüiça, deixando o tempo passar…

tempo

Ao invés de tentar acertar na mosca.

mosca

Não se esqueça que a vida é curta e a qualquer hora você pode bater as botas!

botas

 Você tem a faca e o queijo na mão.

faca


Dê um tempo. tirar uma água do joelho… Ler um bom livro. Tomar uma ducha.

joelho

Ouvir uma boa música ou assistir um filme engraçado pode ser uma mão na roda. Distrai, relaxa e ajuda mesmo!

roda

 Anime-se. Vá se divertir. Solte a franga!

jaca

Enfie o pé na jaca mesmo!

jaca

 
Lembre-se das coisas boas da vida…como agasalhar o croquete

croquete

Molhar o biscoito…

filme

Mas, cuidado para não queimar o filme! Tudo é bom com parcimônia!

queimar
Dani Starck

Não fique com pé atrás com as pessoas. Ainda tem gente boa nesse mundo!

pessoas

Abra o seu melhor sorriso, mesmo que forçado. 

cavalo

E siga adiante… devagar e sempre. Mas, não se esqueça nunca, que é

“Mais fácil acender uma vela que amaldiçoar a escuridão.” (Provérbio Chinês)

A maioria das imagens é do livro “Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas” dos fotográfos Everton Ballardin e Marcelo Zocchio publicado pela Editora DBA em 1999. 

>Conclusões Suficientes

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Não resisti. Luís Fernando Veríssimo é mesmo irresistível. E não se repete nunca. Escreve o cotidiano da vida de uma maneira, que o comum da vida de todos torna-se especial e raro. 
sexo
Anthony Ventura
Sexo. A experiência comprova que com o passar dos anos a mulher deixa de lado muitos tabus, um monte de frescuras. Muitas decidem viver de verdade, ser feliz com vontade. Em todos os aspectos, em todas as posições, com o espelho, com o desejo. Se bem que atualmente, o sexo anda tão banalizado… nem sei se ainda existe essa dúvida cruel: dar ou não dar, eis a questão…. Enfim, se ainda existe ou não, o fato é que todo mundo dá, hoje ou amanhã, agora ou daqui a pouco, se ainda não deu, vai dar. E mais uma vez, Luís Fernando Veríssimo arrasa! Reflita e se divirta com esse texto fantástico.
“A carta que não foi mandada”

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.

Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Sentir aqueles odores do outro, os fluídos…
experimentar
Anthony Ventura
 Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.

Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de
amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar
ouvir futuro.

amor
Anthony Ventura

Dar é bom, na hora. Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te
abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar para os outros e se orgulhar, pra dar o
primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Qui que cê acha amor?”.

É não ter companhia garantida para viajar e falar besteiras…
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho… de conchinha.
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
   
amar
Anthony Ventura

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. 
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você
flutuar.
Experimente ser amado…
Experimente ser cuidado…
Experimente estar com que topa tudo por você…
E tope tudo com ela…
 
“A vida é a arte de tirar conclusões suficientes de dados insuficientes” (Luiz Fernando Verissimo)

>A Casa Dos 40

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Eu ainda não entrei na casa dos 40. Ainda vivo na casa dos 30, mas o espelho já me avisou, que o corpo já se mudou para lá! Inclusive, já até recebo as contas! Pela janela dos 30, dá para ver alguma coisa dos 40… O que não estou mais conseguindo ver direito, é o movimento da casa dos 20… será que são os meus óculos recém adquiridos??? 
tempo
O tempo é cruel. Mas já que o destino é certo, façamos da caminhada uma viagem repleta de bom humor. Luis Fernando Veríssimo escreveu esse magnifico e engraçadíssimo texto para o episódio “A casa dos 40” da Comédia da Vida Privada. O cara é um gênio! Sensacional! Divirta-se:

“Quem já entrou na casa dos 40 sabe do que eu estou falando. Eu entrei na casa dos 40. A porta se fechou atrás de mim. As tábuas rangiam sob os meus pés. No jardim havia duas estátuas de anão com a pintura descascada e o ar de quem sabia alguma coisa que eu não sabia. Mas a única coisa que podia ter dito — “Não entre.” — não foi dita. E aqui estou eu cercado de fantasmas, suando frio e me apalpando. As pessoas invariavelmente começam a se apalpar na casa dos 40. Para verem se é verdade e que dorzinha é aquela.
 Dos fundos sombrios da casa dos 40 vem um murmúrio que a princípio eu não entendo. Parece dizer:
– Tcheca, tcheca… O que será “tcheca”?
idade

Tento fugir mas não encontro mais o trinco da porta. Pelas vidraças empoeiradas mal consigo ver a casa dos 30, do outro lado da rua. Não adianta gritar. Lá está havendo uma festa. Ninguém me ouviria.

E pensar que eu passei pela casa dos 30 sem aproveitar nada. Olhava para a casa dos 40 e a achava atraente. Me imaginava nela, grisalho, sábio e respeitável. Não sabia que seria assim por dentro. Perdi a festa na casa dos 30 e agora não posso voltar.


– Tcheca, tcheca…
humor

Tento desistir da idéia, tento voltar. Invento que esqueci minha bolsa na Casa dos Trinta, a saída. Mas só há uma saída na Casa dos Quarenta: a que dá para a Casa dos Cinquenta.

Depois de uma certa idade a gente só enxerga os pés de longe, lá embaixo… e nós já fomos tão íntimos! Quando eu era bebê brincava com meus pés. Mordia, lambia. Depois nunca mais estivemos tão próximos. Às vezes tento visitá-los, mas a coluna não deixa. Viver é ir lentamente se distanciando dos pés.

 – Tcheca, tcheca…
velhice
A vida é como uma gangorra. Quando você chega aos quarenta, está no topo. Tem uma visão privilegiada de tudo. Se sente realizada, superior, a tal. Por dezessete segundos. Depois começa a descida.”

Na verdade é que aos quarenta, pela primeira vez na vida você se dá conta que vai morrer. Que a morte não é como briga de casal, que só acontece com o vizinho. Fazer quarenta anos é o avesso de entrar na Academia de Letras: você ganha uma festa e se torna um mortal.

– Tcheca, tcheca…

Aos quarenta anos você entra na meia-idade. Chama-se meia-idade porque é um meio termo. É quando o espírito meio que quer e a carne meio que não pode mais. Na meia-idade tudo é pela metade. A meia-idade é uma merda!

À medida em que a gente vai envelhecendo, as letras diminuem! Jornal, catálogo telefônico, bula de remédio. Devia ser o contrário. As crianças aprenderiam a lerem grandes livros de filosofia, com a letrinha miúda. E na velhice as letras ficariam progressivamente maiores. À medida que nossos olhos se cansam.”

Tcheca, tcheca…
saude
Mal entrei na casa dos 40 e já encontro uma baixela de prata cheia de contas para pagar…Aqui as despesas aumentam muito. Todo mês tem conta extra: oculista, fármacia, academia, salão de beleza…
Entrei na casa dos 40 pela porta dos fundos. O porteiro me achou tão acabado que não me deixou subir pelo elevador social. Subi pela escada de serviço com o coração aos trancos e a respiração arfante. Um mordomo me recebeu. Sugere que eu sente e fique à vontade, porque os próximos 10 anos passarão num instante.

– Mas afinal, esse “tcheca, tcheca”, o que é?
– É a primeira recomendação que fazemos a todos que entram na casa dos 40. Check up geral. Só apalpar não adianta nada. “

Texto: Luís Fernando Veríssimo – Comédia da Vida Privada
Imagens: Gifts for Geezers, Discover Magazine, HD da guitarra, Staysure

Uma semana muito especial

fênix
O blog da querida Jackie Freitas,Fênix – Mulheres que Renascem, teve uma semana movimentada. Ela dedicou a primeira semana de agosto como a Semana dos Meus Amigos Escritores. Cada dia da semana, um escritor blogueiro, escolhido por ela, teve o privilégio de escrever um texto para ser publicado no Fênix. 
eninha

Segunda (02/08) – Eninha Campos do blog O que é isso?“, com o texto “Pare de ser “O melhor” e divirta-se”

Sissy
Terça (03/08) – Sissy Mascarenhas do BlogZoom – Idéias da fada sem fim, com o texto “O limite de cada um”

herval

Quarta (04/08) – Herval Filho do blog “Unfollow – Blog do Herval” com o texto “Só sei que nada sei”
herval

Quinta (05/08) – Calebe Ribeiro do blog “Sábias Palavras” com o texto “Encontrando sua própria motivação”

eu

E hoje, sexta (06/08), eu tive essa honra, foi minha vez, com o texto “O Dom da Palavra”

Sábado (07/08) – Valéria Braz do blog Sobre Tudo um Pouco com o texto “Amigos Digitalizados”.

Domingo(08/08) – Marcos Airosa do blog Vida com o texto “Arrumando a casa”

Parabenizo e recomendo os escritores pelos excelentes textos, pelos blogs excepcionais! E agradeço imensamente Jackie Freitas pela oportunidade e iniciativa de dividir o seu espaço com todos. Não posso afirmar isso, sem deixar a modéstia de lado, mas a seleção da Jackie foi de primeira! Confiram!
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