>Conclusões Suficientes

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Não resisti. Luís Fernando Veríssimo é mesmo irresistível. E não se repete nunca. Escreve o cotidiano da vida de uma maneira, que o comum da vida de todos torna-se especial e raro. 
sexo
Anthony Ventura
Sexo. A experiência comprova que com o passar dos anos a mulher deixa de lado muitos tabus, um monte de frescuras. Muitas decidem viver de verdade, ser feliz com vontade. Em todos os aspectos, em todas as posições, com o espelho, com o desejo. Se bem que atualmente, o sexo anda tão banalizado… nem sei se ainda existe essa dúvida cruel: dar ou não dar, eis a questão…. Enfim, se ainda existe ou não, o fato é que todo mundo dá, hoje ou amanhã, agora ou daqui a pouco, se ainda não deu, vai dar. E mais uma vez, Luís Fernando Veríssimo arrasa! Reflita e se divirta com esse texto fantástico.
“A carta que não foi mandada”

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.

Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Sentir aqueles odores do outro, os fluídos…
experimentar
Anthony Ventura
 Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.

Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de
amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar
ouvir futuro.

amor
Anthony Ventura

Dar é bom, na hora. Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te
abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar para os outros e se orgulhar, pra dar o
primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Qui que cê acha amor?”.

É não ter companhia garantida para viajar e falar besteiras…
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho… de conchinha.
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
   
amar
Anthony Ventura

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. 
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você
flutuar.
Experimente ser amado…
Experimente ser cuidado…
Experimente estar com que topa tudo por você…
E tope tudo com ela…
 
“A vida é a arte de tirar conclusões suficientes de dados insuficientes” (Luiz Fernando Verissimo)
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>A Casa Dos 40

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Eu ainda não entrei na casa dos 40. Ainda vivo na casa dos 30, mas o espelho já me avisou, que o corpo já se mudou para lá! Inclusive, já até recebo as contas! Pela janela dos 30, dá para ver alguma coisa dos 40… O que não estou mais conseguindo ver direito, é o movimento da casa dos 20… será que são os meus óculos recém adquiridos??? 
tempo
O tempo é cruel. Mas já que o destino é certo, façamos da caminhada uma viagem repleta de bom humor. Luis Fernando Veríssimo escreveu esse magnifico e engraçadíssimo texto para o episódio “A casa dos 40” da Comédia da Vida Privada. O cara é um gênio! Sensacional! Divirta-se:

“Quem já entrou na casa dos 40 sabe do que eu estou falando. Eu entrei na casa dos 40. A porta se fechou atrás de mim. As tábuas rangiam sob os meus pés. No jardim havia duas estátuas de anão com a pintura descascada e o ar de quem sabia alguma coisa que eu não sabia. Mas a única coisa que podia ter dito — “Não entre.” — não foi dita. E aqui estou eu cercado de fantasmas, suando frio e me apalpando. As pessoas invariavelmente começam a se apalpar na casa dos 40. Para verem se é verdade e que dorzinha é aquela.
 Dos fundos sombrios da casa dos 40 vem um murmúrio que a princípio eu não entendo. Parece dizer:
– Tcheca, tcheca… O que será “tcheca”?
idade

Tento fugir mas não encontro mais o trinco da porta. Pelas vidraças empoeiradas mal consigo ver a casa dos 30, do outro lado da rua. Não adianta gritar. Lá está havendo uma festa. Ninguém me ouviria.

E pensar que eu passei pela casa dos 30 sem aproveitar nada. Olhava para a casa dos 40 e a achava atraente. Me imaginava nela, grisalho, sábio e respeitável. Não sabia que seria assim por dentro. Perdi a festa na casa dos 30 e agora não posso voltar.


– Tcheca, tcheca…
humor

Tento desistir da idéia, tento voltar. Invento que esqueci minha bolsa na Casa dos Trinta, a saída. Mas só há uma saída na Casa dos Quarenta: a que dá para a Casa dos Cinquenta.

Depois de uma certa idade a gente só enxerga os pés de longe, lá embaixo… e nós já fomos tão íntimos! Quando eu era bebê brincava com meus pés. Mordia, lambia. Depois nunca mais estivemos tão próximos. Às vezes tento visitá-los, mas a coluna não deixa. Viver é ir lentamente se distanciando dos pés.

 – Tcheca, tcheca…
velhice
A vida é como uma gangorra. Quando você chega aos quarenta, está no topo. Tem uma visão privilegiada de tudo. Se sente realizada, superior, a tal. Por dezessete segundos. Depois começa a descida.”

Na verdade é que aos quarenta, pela primeira vez na vida você se dá conta que vai morrer. Que a morte não é como briga de casal, que só acontece com o vizinho. Fazer quarenta anos é o avesso de entrar na Academia de Letras: você ganha uma festa e se torna um mortal.

– Tcheca, tcheca…

Aos quarenta anos você entra na meia-idade. Chama-se meia-idade porque é um meio termo. É quando o espírito meio que quer e a carne meio que não pode mais. Na meia-idade tudo é pela metade. A meia-idade é uma merda!

À medida em que a gente vai envelhecendo, as letras diminuem! Jornal, catálogo telefônico, bula de remédio. Devia ser o contrário. As crianças aprenderiam a lerem grandes livros de filosofia, com a letrinha miúda. E na velhice as letras ficariam progressivamente maiores. À medida que nossos olhos se cansam.”

Tcheca, tcheca…
saude
Mal entrei na casa dos 40 e já encontro uma baixela de prata cheia de contas para pagar…Aqui as despesas aumentam muito. Todo mês tem conta extra: oculista, fármacia, academia, salão de beleza…
Entrei na casa dos 40 pela porta dos fundos. O porteiro me achou tão acabado que não me deixou subir pelo elevador social. Subi pela escada de serviço com o coração aos trancos e a respiração arfante. Um mordomo me recebeu. Sugere que eu sente e fique à vontade, porque os próximos 10 anos passarão num instante.

– Mas afinal, esse “tcheca, tcheca”, o que é?
– É a primeira recomendação que fazemos a todos que entram na casa dos 40. Check up geral. Só apalpar não adianta nada. “

Texto: Luís Fernando Veríssimo – Comédia da Vida Privada
Imagens: Gifts for Geezers, Discover Magazine, HD da guitarra, Staysure

>Não faça lixo, faça Arte!

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Outubro está chegando ao fim. Os comerciais de panetone já estão no ar. O ano está chegando ao fim e o Natal se aproxima. Em outros tempos, isso significaria um tempo de amor e união, de jantares e encontros familiares. Agora significa longas filas e muita grana em presentes! 
Já tive o prazer de mostrar uns trabalhos íncriveis feitos com lixo no post

“Brinquedos e idéias que iam para o lixo”, mas novas idéias sempre aparecem para encantar e surpreender!

David Edgar – Plastiquarium

Antes que o mar realmente não esteja para peixe, nem o céu para pássaros… acho que é uma ótima oportunidade de pensarmos em novas alternativas. Porque toda a tralha do Natal passado, provavelmente, ou já foi ou vai para o lixo. Aqueles brinquedos velhos, as bonecas sem cabeça, os carrinhos sem rodas…

David Edgar – Plastiquarium
E já que sustentabilidade e ecologia estão na moda, por quê não pensar em inovar nos presentes??? ECOlogia e ECOnomia podem resultar em muita diversão, relax e alguns pontos no céu. As crianças adoram! Não vá gastar uma fortuna numa boneca falante, cuja caixa será mais atraente para sua filha!

David Edgar – Plastiquarium
Veja o que se pode fazer com garrafas, latas, sacolinhas de mercado, embalagens de amaciante e shampoo, entre outras coisas, que certamente você joga fora todo dia. E se você não tem a menor paciência para trabalhos manuais, mas tem uma grana e quer ser ecologicamente correto, você encontra todas essas coisinhas lindas e criativas à venda (não é barato)!

David Edgar – Plastiquarium
David Edgar – Plastiquarium
David Edgar – Plastiquarium

David Edgar – Plastiquarium

David Edgard – Plastiquarium – embalagens de amaciante e outros
Galinhas de sacolas de mercado

Joaninha de sacolinhas

Galinha de sacolinha

Colar de lata de aluminio – Funky Recyclin

Broche de lata de aluminio – Funky Recyclin

Brincos de lata de aluminio – Funky Recyclin
Pavel Sidorenko – Re-Vinil

Pavel Sidorenko – Re-Vinil

Sang Won Sung

Sang Won Sung

Jolis Paons

Jolis Paons – vestido de jornal!
Sarah Turner – Luminarias de Garrafas Pet

Sarah Turner – Luminarias de Garrafas Pet

Sarah Turner – Luminarias de Garrafas Pet

Sarah Turner – Luminarias de Garrafas Pet

Sarah Turner – Luminarias de Garrafas Pet

>Cansei de deixar para depois…

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Há algum tempo atrás quase empacotei! Escrevi sobre isso na ocasião, no post “E se hoje fosse seu dia de morrer?” Sempre gostei de assuntos ligados à alma, à psique, à consciência,  mas depois desse episódio, passei a ter um interesse maior. Quando encaramos a fragilidade da vida, algo em nosso íntimo muda.  Surgem muitos questionamentos sobre a razão da nossa existência, os objetivos que conquistamos e principalmente, o sonhos que não realizamos.
Descobri a pouco o blog de Rodolfo Araújo – Não posso evitar…, e li um post sensacional sobre “procrastinação” (aquela mania, quase vício, de deixar tudo para daqui a pouco… para depois… para amanhã… pensar mais que agir… deixar para amanhã, o que você poderia ter feito ontem… ou não fazer agora o que você não fará daqui a pouco. É o nome complicado dos desorganizados, dos indecisos, dos inseguros e quem diga – minha sogra diria! – dos preguiçosos!
Reconheci em mim essa palavra dificil! Preguiça? Não… o pior é que não sou nada preguiçosa, tenho pique para tudo, principalmente se estou empolgada! O meu maior problema é a desorganização do tempo e do espaço no espaço e no tempo!
Mesmo depois de constatar pessoalmente, que o tempo pode não ser tão longo quanto planejei, ainda assim, tenho uma grande tendência a desperdiçá-lo.  Na verdade, não consigo me organizar entre tantos afazeres diários e aqueles que eu realmente gosto. Tentando fazer tudo ao mesmo tempo agora… um pouco aqui, outro pouco ali, de manhã até de noite ou até que a madrugada termine, trazendo o pânico por não ter dormido o suficiente para aguentar o tranco do dia que começa sem que eu tenha terminado o que comecei ontem, mas já cheia de idéias para o que posso fazer daqui a pouco. Uma eterna alternância entre procrastinar e postergar.

Ok. Eu já tinha sido informada desse vício nas sessões de terapia transpessoal, que aliás recomendo a todos! E fazendo uma retrospectiva de mim mesma, concluí que foram tantos projetos, planos e sonhos inacabados ou nem iniciados, que se tempo fosse, de fato dinheiro, com certeza eu já seria uma bilionária! Já que arrasto esse mal desde a infância. Nunca fui uma estudante exemplar, só estudava um dia antes da prova. Sempre dormi até o último minuto antes do ônibus passar! Leio 5 livros sem terminar nenhum. Nunca consegui fazer uma poupança. E só penso em como pagar a conta, quando ela chega! Admito… talvez minha sogra tenha razão… tem uma certa preguiça no meio de tudo isso, a preguiça para ser diciplinada! Mas, juro que é inconsciente!
 
Existe explicação cientifica para a procrastinação, há causas psicológicas e fisiológicas, há o tipo relaxado ou tenso. Em alguns casos, pode até caracterizar uma patologia mental, como Transtorno do Deficit de Atenção, por exemplo. Mas, para mim, não adianta nem dar essa desculpa. 
Faz quase 10 dias que estou estudando um bom assunto para um post… e entre escolher esse tema e ficar na dúvida sobre um outro… mais dois dias se passaram. E quantas vezes vou até meus blogs preferidos para parabenizar os escritores dos textos lindos que eu leio e quando começo…o telefone toca…o carteiro chega… e já está na hora de buscar as crianças na escola!  E o tempo passa… E eu não passo a roupa! Do mesmo jeito que a pilha de roupas cresce, aumenta a pilha de idéias, que estão dentro de mim, mas não encontram espaço nem tempo para se manifestarem…os quadros que não pinto, alegando um bloqueio criativo, que não passa nunca… as felicitações que dou(quando dou aos queridos aniversariantes alguns dias depois da data querida… tem dias, que vou ao banheiro, e empolgada na leitura, esqueço o que lá fui fazer!
Enfim, acho que estou precisando dar uma geral nessa zona toda, não?! Bom saber que não estou sozinha nessa dura briga pela diciplina. A procrastinação é quase uma caracteristica humana! Afinal, que ser humano prefere as obrigações maçantes ao deleite de um bom filme, de um bom livro ou mesmo de um bom site na internet??? Como afirma a velha frase: primeiro a obrigação, depois a diversão.
Quem não conhece a fábula “A Formiga e a Cigarra”??? Enquanto a formiga trabalhou o verão inteiro para garantir o alimento no inverno, a Cigarra passou o verão na esbórnia! E um inverno de fome! A regra é clara: quem não planta, não colhe! 
Cansei dessa mania! Vou resolver essa pendenga! E não dá para deixar para depois! Tá afins??? Não sabe como? Vixi, quando fui pesquisar esse assunto, tinha tanta informação, que comecei a me sentir uma plagiadora! Mas, decidi não deixar esse assunto de lado. E de alguma forma, quando dividimos problemas, eles pesam menos, embora não signifique que foram resolvidos!
Então, chega de enrolar, né?! Você pode ler mais (muito mais!) sobre esse assunto: 

>Aparências

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Suponho que no princípio dos princípios, antes de havermos inventado a fala, que é, como sabemos, a suprema criadora de incertezas, não nos atormentaria nenhuma dúvida séria sobre quem éramos e sobre a nossa relação pessoal e coletiva com o lugar em que nos encontrávamos.(…)Nessa hora inicial, o mundo foi pura aparência e pura superfície(…)Todas as coisas eram o que pareciam ser pelo único motivo de que não havia qualquer razão para que parecessem e fossem outra coisa.

(…)Hoje, porém, embora sabedores de que desde o último dos vírus até ao universo, não somos mais do que organizações de átomos e que no interior deles, além da massa que lhes é própria, ainda sobra espaço para o vácuo (o compacto absoluto não existe, tudo é penetrável), continuamos, tal como o haviam feito os nossos antepassados das cavernas, a apreender, identificar e reconhecer o mundo segundo a aparência com que se nos apresenta.

A genialidade de Saramago não precisa de comentários e é por demais reflexiva. Afinal, quantos de nós vivem num palco? Atores da própria vida? Quantos prometem o que não podem cumprir? Quantos usam a maquiagem que esconde sua verdadeira face? 
Quando eu era criança, eu sonhava ser atriz. Sempre achei que o ator é o ser humano mais sortudo do mundo. Não me refiro ao sucesso e ao glamour… O ator  pode viver  todos os sentimentos, é o vilão ou o mocinho, pode ter poderes sobrenaturais, ser herói e ser covarde, nascer em todas as classes, morrer mil vezes e amar de todas as maneiras. O ator não tem medo de se expor ao ridículo, não teme a vaidade, ao contrário, usa dela para dominar todas as vidas que os roteiros lhe possibilitam viver. 

aparencia
O que é não é o que parece! Trabalhos de Ilusão de Tim Noble e Sue Webster


Mesmo que essas vidas sejam apenas ficção, os sentimentos que despertam dentro de si para a criação de cada personagem é real. Talvez por isso, muitos atores e atrizes sucumbem ao vício, à depressão e a solidão acompanhada dos holofotes. Não deve ser fácil carregar tantas vidas dentro de si. 

realidade
O que é não é o que parece! Trabalhos de Ilusão de Tim Noble e Sue Webster


Vi o novo comercial da Nextel estrelado por Fábio Assunção. O texto desse comercial é emocionante, porque fala sobre isso, sobre sermos nós mesmos, sem máscaras, sem atuações. 

“Eu vivo muitas vidas. Mas o Fábio, eu não posso interpretar. Esse personagem aqui eu não escolhi, mas sei que minhas escolhas, que definem quem eu sou.
Lutei, desisti, abandonei, duvidei, me esqueci, me encontrei. Não foi atuando que descobri meus medos e virtudes, foi por ter liberdade nas minhas escolhas. 
Ainda vou viver muitas vidas nessa minha vida, mas felicidade é ser eu mesmo.”
felicidade
O que é não é o que parece! Trabalhos de Ilusão de Tim Noble e Sue Webster


Descobri com o tempo que não é necessário ser ator para viver várias vidas. O roteiro da nossa vida encarrega-se de nos dar papéis diferentes em cada momento. Porém, como acontece com o ator, não são os papéis que interpretamos que nos trarão a verdadeira felicidade.
 As aparências enganam. Enquanto algumas pessoas tentam parecer o que não são, outras tentam parecer o que  não podem ser e outras ainda, tentam não parecer o que realmente são. E cada um de nós vai tentando ser melhor aos olhos dos outros, exceto para nós mesmos. 


Geralmente, depois que termina o primeiro ato, notamos que esquecemos grande parte do texto original, aquele texto que escrevemos, mas entusiasmados pela platéia, adaptamos o roteiro a fim de agradá-la. Momento terrível é quando as cortinas se fecham e os aplausos cessam. Tirar o figurino, a maquiagem e olhar diante do espelho, que dispensa falas e roteiros, que não aplaude nem vaia. Ser indiferente e não valorizar as próprias qualidades. Não conseguir encarar nossa verdadeira e despida face porque ela não se tornou aquilo que os outros esperaram que ela se tornasse. 

verdade
O que é não é o que parece! Trabalhos de Ilusão de Tim Noble e Sue Webster



Sempre a realidade de nós é a realidade original que na origens se gera. Sempre a autenticidade de nós está a uma distância infinita das razões que a justificam. “



Imagens:Ilusões de Tim Noble e Sue Webster
Fonte: Reflexões Diárias


>Ninguém é insubstituível

>“Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça:

– “Ninguém é insubstituível”. 

talento
Esculturas em cascas de ovos de Lew Jensen, Brian Baity


A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada. De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido: – Alguma pergunta? – Tenho sim. – E Beethoven ?
– Como? – o encara o diretor confuso.
– O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
Silêncio…..O funcionário fala então:
– Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. 

trabalho

Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? 

unicos

Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis. Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus ‘erros/ deficiências’ .

esculturas
Lew Jensen


Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico… O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.

arte
Esculturas em cascas de ovos de Lew Jensen

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.
Se seu gerente/coordenador, ainda está focado em ‘melhorar as fraquezas’ de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/ técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos. 

sociedade
Alan Rabon
ovos
Lew Jensen

Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados . . . apenas peças.
 

Nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões ‘foi pra outras moradas’. Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: “Estamos todos muito tristes com a ‘partida’ de nosso irmão Zacarias… e hoje, para substituí-lo, chamamos:… . Ninguém … pois nosso Zaca é insubstituível”

Portanto nunca esqueça: Você é um talento único… com toda certeza ninguém te substituirá!

“Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo…, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso.”

“No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é…, e outras…, que vão te odiar pelo mesmo motivo…, acostume-se a isso…, com muita paz de espírito. ..”.
É bom para refletir e se valorizar!

Um bom dia….. insubstituível!!!!!

Ninguém é insubstituível”  por Célia Spangher

Recebi esse texto por e-mail, é de autoria da headhunter Célia Spangher. Ele já até foi publicado em alguns blogs, mas textos tão bons como esse precisam ser divulgados. Apesar de ser destinado ao mercado de trabalho, nada impede que sua mensagem seja ampliada para todos os setores da nossa vida. Além disso, achei o tema  bem adequado às íncriveis imagens das esculturas em cascas de ovos. Trabalhos, sem sombra de dúvida, insubstituíveis!

>Sobre a brevidade da vida

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“A vida é breve, longa, a arte.” Hipócrates

Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor. (…)

viver
C.Albert / Aerial Dreams

Por que nos queixamos da Natureza? Ela mostrou-se benevolente: a vida, se souberes utilizá-la, é longa. Mas uma avareza insaciável apossa-se de, um de outro, uma laboriosa dedicação a atividades inúteis, um embriaga-se de vinho, outro entorpece-se na inatividade; a este, uma ambição sempre dependente das opiniões alheias o esgota, um incontido desejo de comerciar leva aquele a percorrer todas as terras e todos os mares, na esperança de lucro; a paixão pelos assuntos militares atormenta alguns, sempre preocupados com perigos alheios ou inquietos com seus próprios; há os que, por uma servidão voluntária, se desgastam numa ingrata solicitude a seus superiores; a busca da beleza de um outro ou o cuidado com sua própria ocupa a muitos; a maioria, que não persegue nenhum objetivo fixo, é atirada a novos desígnios por uma vaga e inconstante leviandade, desgostando-se com isso; alguns não definiram para onde dirigir sua vida, e o destino surpreende-os esgotados e bocejantes, de tal forma que não duvido ser verdadeiro o que disse, à maneira de oráculo, o maior dos poetas: “Pequena é a parte da vida que vivemos.” Pois todo o restante não é vida, mas tempo. Os vícios atacam-nos, e rodeiam-nos de todos os lados e não permitem que nos reergamos, nem que os olhos se voltem para discernir a verdade, mantendo-os submersos, pregados às paixões.(…)


(…)Vemos que chegaste ao fim da vida, contas já cem ou mais anos. Vamos! Faz o cômputo de tua existência. Calcula quanto deste tempo credor, amante, superior ou cliente, te subtraiu e quanto ainda as querelas conjugais, as reprimendas aos escravos, as atarefadas perambulações pela cidade; acrescenta as doenças que nós próprios nos causamos e também todo o tempo perdido: verás que tens menos anos de vida do que contas. (…)Os ocupados não tem tempo para refletir sobre si, daí o estranhamento de si mesmos. O homem, no entanto, pode ultrapassar sua condição meramente corporal e alcançar o conhecimento de si como alma e razão.(…)
morrer
Steve Argy

(…)Finalmente, todos concordam que um homem ocupado não pode fazer nada bem: não pode se dedicar à eloqüência, nem aos estudos liberais, uma vez que seu espírito, ocupado em coisas diversas, não se aprofunda em nada, mas, pelo contrário, tudo rejeita, pensando que tudo lhe é imposto. Nada é menos próprio do homem ocupado do que viver, pois não há outra coisa que seja mais difícil de aprender. Professores das outras artes, há vários e por toda parte, dentre algumas dessas, vemos crianças terem atingido tanta maestria, que chegam até a ensiná-las. Deve-se aprender a viver por toda a vida, e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer.(…)

aprender
C.Albert / Aerial Dreams

(…)Dentre todos os homens, somente são ociosos os que estão disponíveis para a sabedoria; eles são os únicos a viver, pois, não apenas administram bem sua vida, mas acrescentam-lhe toda a eternidade. Todos os anos que se passaram antes deles são somados aos seus. (…)
 (…)É extremamente breve e agitada a vida dos que esquecem o passado, negligenciam o presente e receiam o futuro; quando chegam ao termo de suas existências, os pobres coitados compreendem tardiamente que (2) estiveram por longo tempo ocupados em nada fazer.(…)
 
espirito
C.Albert / Aerial Dreams

(…)Todos os maiores bens estão cheios de ansiedade, e as maiores fortunas são as menos dignas de crédito; para alimentar a felicidade, faz-se necessária uma outra felicidade, e em paga a uma promessa realizada, outras promessas devem ser feitas. Pois tudo o que nos sucede por obra do acaso é instável, e quanto mais alto nos elevamos, tanto mais estamos sujeitos a cair. É claro que o que está condenado a cair não agrada a ninguém. Portanto é necessariamente a mais miserável e não apenas a mais breve, a vida dos que obtêm com grande esforço algo que conservam com um esforço ainda maior. Em meio a grandes labutas, conseguem o que desejam e ansiosos conservam o que conseguiram; entretanto não têm consciência de que o tempo nunca mais há de voltar. (…)

Sobre a brevidade da vida – Sêneca

Leitura mais que recomendada, Sêneca foi um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano. Seguidor do estoicismo, que aconselha a indiferença  em relação a tudo que é externo ao ser, devendo assim manter a serenidade perante as tragédias e coisas boas. Para Sêneca, o destino é uma realidade. O homem pode apenas aceitá-lo ou rejeitá-lo. Se o aceitar de livre vontade, goza de liberdade. 

destino
Christel Arnod

Sobre a Brevidade da vida são cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e, no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-la. Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura inspiradora para todos os homens, a quem ajudam a avaliar o que é uma vida plenamente vivida. 

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